sexta-feira, julho 06, 2007

geleira cucaracha _ cap. 3



Faz dez anos que Olavo Cerqueira não sai na rua.
Por opção própria, fez voto de pobreza, clausura e burrice.
Desde que entrou no Mosteiro São Patrício das Causas Ambíguas, fica a seguir seus superiores em busca de iluminação em maior ou menor grau. Isso irrita Dom Perignon num grau que, se Olavo soubesse, ficaria sentado em espiga de milho por sete dias.

Antes de se decidir pela vida abnegada dos franciscanos, Olavo era um garoto vivaz e com a sexualidade em dia. Já estava aprendendo a lidar com as ereções fora de hora e ao poucos ia se sentindo orgulhoso com o comprimento de sua genitália. Enfim, um garoto normal.
A problemática surgiu de fato quando a mãe, dona Crotilde Cerqueira, trouxe para dentro de casa Zuleica Mendonça, a criada-cozinheira-babá.
Zuleica se mostrou de uma eficiência ímpar, deixando a casa um brinco como jamais Crotilde fora capaz.
Com tudo reluzindo, os estômagos forrados com iguarias mineiras divinas e o pequeno Olavo tratado a pandeló, não demorou para Zuleica ser sumariamente integrada como um membro da família Cerqueira.
Assim, Zuleica, a criada-cozinheira-babá, virou tia Zuzu.

Olavo se lembra desses tempos dourados com um misto de medo e fascínio. Ele vivia o auge da testosterona que deixa meninos em tenra idade com vontade de escavar poços de petróleo no colchão; e o boom do crescimento econômico brasileiro deixava tudo muito mais tesudo, afinal de contas.
Mas daí pra frente, um black se instala em sua mente e Olavo se apressa em fazer o sinal da cruz.

Tia Zuzu gostou do rapazola desde a primeira vez que repousou os olhos em seu rostinho de fada e na bundinha arrebitada demais para um viril.
Tia Zuzu era lésbica e isso seria óbvio e ululante, caso os Cerqueira soubessem da existência de uma lésbica no mundo.
E, entre uma fornada de pão de queijo e uma tijelada de vaca atolada, Tia Zuzu foi transformando o pequeno Olavinho numa mini-princesinha Caroline de Mônaco: cabelinhos castanhos, olhinhos verdes, tiarinha de brilhantes, vestidinhos rodados e sapatilhas de strass. Isso, é claro, na ausência de Clotilde e Jayme Cerqueira.

Ao todo, foram sete anos de subserviência regada a incríveis doses de dor e prazer. Transformar aquela belíssima criança em escrava sexual fazia a desalmada da Tia Zuzu ter faniquitos internos de êxtase. Dava pra ver na sua cara o orgasmo chegando e culminando no derradeiro babyliz em cima do cocoruco do Olavinho.

Mas num belo dia, Olavinho não aguentou a humilhação e tentou o suicídio da maneira mais estapafúrdia a que se tem notícia.
Depois, especialistas se puseram a justificar tamanho desatino como uma tentativa desesperada de chamar a atenção dos pais ausentes e se aproximar de Deus que, até então, via a tudo de cima e de longe.
Neste belo dia, Olavinho acordou como de costume, foi à cozinha e praticou o auto-empalamento com o mixer de fazer vitamina.
Detalhe: esqueceu de ligar na tomada, ou seja, o que deveria ter se tornado uma auto-chacina interna, se transformou numa patética ação sodomita daquelas que residentes em plantão morrem de dar risada ao contar para todos os conhecidos o que eles são obrigados a tirar da bunda de terceiros.

Mas pelo menos, pra uma coisa serviu esse episódio horrendo: Tia Zuzu foi mandada às favas (devidamente algemada) e Olavinho mandado para o Mosteiro São Patrício das Causas Ambíguas com sua almofada de espuma, que acabou nem usando, já que lá, as pessoas não sentam, ajoelham.

4 comentários:

Mara Liz disse...

pobre olavinho! depois o povo não sabe porque os franciscanos são tão problemáticos :D

why not disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
why not disse...

legal edinho
naum saiba da sua vasta obra on line eu lirico auto bio pop. ja coloquei nos preferidos. bj!

verde velma disse...

o mixer de vitamina!